Voltar ao topo.

Não traia sexualmente o parceiro

No dia 14 de Novembro de 2009 Moisés Groisman esteve em Chapecó ministrando um Workshop com o tema: "Casamento, Infidelidade e Divórcio”, onde destacou que  "... a infidelidade sempre existiu e sempre é um sintoma que denuncia que alguma coisa não está bem na relação conjugal.” Em seu livro O código da família ele aponta como 7º regra para uma boa convivência  "Não traia sexualmente o parceiro.”

    O autor destaca em seu livro que: "Quando proponho que não haja infidelidade na união conjugal, não estou usando um critério moral, mas, sim, ético.”

Enfatiza ainda que o casamento ou a união não deveria conter o slogan "até que a morte nos separe”, apesar da existência da crença religiosa de que o casamento é indissolúvel e que os parceiros deverão continuar juntos na tristeza e na alegria até que a morte os separe. Ele aponta que a razão da sua afirmação, discordando de que um casal deve permanecer junto para o resto da vida, é que esta obrigação leva ao imobilismo privando os cônjuges à vivência das crises naturais do relacionamento, com receio de acabar numa separação.

    A verdade é que se o casal não discutir todas as questões que existem na sua vida – sexo, dinheiro, poder, relacionamento, problemas com o respectivo cônjuge – eles certamente se afastarão, provocando assim um possível rompimento.

    A estabilidade permanente leva à paralisação, enquanto a instabilidade passageira promove movimento, mudança e crescimento.    A palavra crise assusta, principalmente quando se fala em crise conjugal, mas ela é a oportunidade, o alarme que permite o crescimento, redirecionando o casamento em novas bases e com projetos comuns.

    Se o casamento é dissolúvel – inclusive do ponto de vista legal, com o divórcio -, por que os casais permanecem juntos mesmo infelizes? Porque todos nós trazemos carências das nossas famílias, desde as subjetivas, como falta de carinho, atenção, proteção etc. até as objetivas, como morte precoce do pai ou da mãe, abandono, adoção, divórcio dos pais na adolescência ou na infância etc. que procuramos resolver quando formamos nossa própria família.

    A família torna-se uma instituição que proporcionará proteção e amparo contra tudo e todos. Em nome desta proteção os parceiros procuram manter a família a todo custo e a qualquer preço apesar da crescente infelicidade. Diante deste quadro, não haverá surpresa se acontecer a infidelidade de um dos parceiros ou de ambos, que é o sintoma de uma crise conjugal latente.

    O autor aponta que considera como ético na união de duas pessoas o estabelecimento entre si de um acordo de compartilhar o projeto que é aquela união, aquela empresa (casamento) que está se iniciando como sócios afetivos. Pois como já vimos em outros momentos, a família é uma empresa que tem organização, estrutura e regras de funcionamento. Se um dos sócios quebra uma das regras está infringindo a ética do contrato.

     Para Groisman aquele que quebra ou que trai não é o único culpado da história, apesar de ter tomado a iniciativa, o outro também colaborou, pois permitiu, silenciosamente, que se acumulasse o lixo familiar. E este lixo chega a um ponto que precisará ser jogado fora, ou então acabará sufocando os integrantes daquele casal.



Fonte: Gróisman, Moisés, O Código da Família: mandamentos que devem reger as relações familiares. 1ª. Ed. Rio de Janeiro: Núcleo Pesquisas, 2006.
Artigo publicado em:22/08/2012 às 08:59