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Não considere sua família de origem mais importante que o seu casamento

Com o casamento deixamos para trás a nossa família de origem, com a qual convivemos durante muito tempo, onde criamos vínculos afetivos, e recebemos influência de várias gerações.  Quando duas pessoas se unem é normal que cada uma delas carregue, para essa nova etapa da vida, uma carga familiar considerável, com um peso correspondente, que precisará ser diminuído gradualmente para abrir espaço à nova relação e à futura família.

Esta nova etapa da vida requer uma reflexão, neste sentido Gróismann (2006) destaca que:
" Os casais precisam ter consciência de que o tempo que permaneceram em suas respectivas famílias supera o tempo que estão juntos, ao iniciarem uma relação”. 


    Isto não significa que precisem do mesmo tempo para transferir o peso de uma família para a outra, mas, sim, um trabalho árduo dos parceiros para construírem a força da nova família.

    Mas se o peso das famílias originais não diminuírem progressivamente, provavelmente será inevitável que se crie um certo abismo entre os parceiros, onde cada um ficará mais ligado à sua família original e, assim, defenderá a cultura familiar de onde saiu. Uma das conseqüências dessa situação é que provavelmente não conseguirão criar laços de cumplicidade, já que os laços permanecerão mais intensos com a família de origem que aqueles a serem desenvolvidos no casamento e na família a ser construída.

    Inicialmente, mesmo que um parceiro não concorde com o outro em alguns pontos, eles deverão estar associados para enfrentar a batalha do estabelecimento das fronteiras ou limites entre o casal e as suas respectivas famílias de origem. Neste sentido, entende-se como fronteira e limite, a proteção que casal usará para que seus familiares não influencie diretamente nas decisões que são única e exclusivamente, nesta fase do ciclo de vida, do próprio casal.

    É bom ficar claro que não estamos propondo um afastamento do casal de suas respectivas famílias de origem ou que, a partir do casamento, sejam consideradas como inimigas. A ligação afetiva, o convívio, permanece e deve ser cultivados. O que deve passar a existir, com o casamento, são os limites, não só geográficos, mas emocionais, entre uma família e outra para que elas possam crescer, inter-relacionando-se, independentes em sua estrutura.

   

Fonte:
Gróisman, Moisés, O Código da Família: mandamentos que devem reger as relações familiares. 1ª. Ed. Rio de Janeiro: Núcleo Pesquisas, 2006.
Artigo publicado em:22/08/2012 às 08:57